Olá Atleta! Todos os corredores têm uma relação quase emocional com os seus ténis. Aquele par que te acompanhou na tua primeira meia maratona, o que sobreviveu a treinos debaixo de chuva, ou o que simplesmente “encaixa como uma luva”. Por melhor que seja o modelo, há uma verdade incontornável: os ténis de corrida têm prazo de validade.
E tão importante saber quando os trocar, como saber qual o próximo par ténis de corrida a escolher. Porque os ténis certos podem fazer a diferença entre uma corrida leve e fluida ou um treino cheio de desconforto e dores.
Neste artigo, reunimos 10 dicas práticas para ajudar-te a escolher o modelo certo e perceber quando é o momento de reformar os teus velhos companheiros de corrida. Vamos falar de passada, terreno, amortecimento, durabilidade e até cuidados que prolongam a vida útil do calçado.
Se corres por prazer, competição ou bem-estar, estas orientações vão garantir que os teus pés estão sempre prontos para o próximo quilómetro.
1. O papel dos ténis de corrida
Antes de entrar nas escolhas, é importante perceber porque razão a escolha dos ténis de corrida é tão determinante.
Cada passada que dás gera uma força de impacto que pode chegar a duas a três vezes o peso do teu corpo. Multiplica isso por milhares de passos ao longo de um treino e percebes o tamanho do desafio.
Os ténis de corrida servem para amortecer, estabilizar e proteger. Um bom par de ténis de corrida reduz o impacto nas articulações, melhora o retorno de energia e ajuda a manter uma passada eficiente. Mas a função ideal varia consoante o corredor, por isso, não existe um modelo “perfeito”, mas sim o modelo certo para ti.
Vê o nosso guia dos Os 10 melhores ténis de corrida para 2025, ou Como escolher o calçado ideal para os diferentes tipos de corrida.
2. Entender o teu tipo de passada
O primeiro passo para escolher bem é perceber como o teu pé toca o chão. Existem três tipos principais de passada:
- Neutra: o pé apoia de forma equilibrada, distribuindo o impacto entre o calcanhar e o antepé.
- Pronada: o pé roda ligeiramente para dentro durante o contacto, o que é natural até certo ponto, mas pode exigir suporte adicional se for excessivo.
- Supinada: o pé roda para fora, deixando o impacto concentrado na parte externa.
Podes identificar o teu tipo de passada observando o desgaste dos teus ténis antigos:
- Desgaste mais uniforme → passada neutra.
- Desgaste no interior → pronada.
- Desgaste no exterior → supinada.
Algumas lojas especializadas fazem análise de passada com câmaras de alta velocidade ou sensores de pressão. É um investimento que vale a pena, sobretudo se corres com regularidade.
3. O terreno faz diferença
Correr em estrada, trilhos ou pista muda completamente as exigências sobre o corpo e o calçado.
- Estrada: requer ténis de corrida leves, com bom amortecimento e resposta rápida. O foco é conforto e retorno de energia.
- Trail (trilho/montanha): exige sola com maior tração, estrutura mais firme e proteção contra pedras e raízes.
- Pista de atletismo: aqui o objetivo é velocidade. O calçado deve ser mais minimalista, com solas finas e flexíveis.
Se costumas variar o tipo de corrida, o ideal é ter dois pares diferentes de ténis de corrida, um para estrada e outro para trail. Assim, aumentas a durabilidade de ambos e reduzes o risco de lesões.
4. O ajuste ideal: conforto acima de tudo
Um dos maiores erros dos corredores é escolher ténis de corrida demasiado apertados. O calçado ideal deve ser justo, mas nunca a comprimir.
Quando experimentares, certifica-te de que:
- há um pequeno espaço (cerca de 1 cm) entre o dedo grande e a ponta dos ténis de corrida;
- o calcanhar está firme, sem escorregar;
- o pé está estável, sem pontos de pressão.
Durante a corrida, o pé tende a inchar ligeiramente, por isso é normal que o número do calçado de corrida seja meio ponto acima do teu número habitual de sapatos.
Aproveita também para experimentar meias específicas de corrida, mais finas e respiráveis, que ajudam a evitar bolhas.
5. O peso e o tipo de amortecimento
O peso dos ténis de corrida influencia diretamente o teu rendimento. Ténis leves (200-250 g) são ideais para treinos rápidos e provas curtas. Já os modelos mais estruturados (300 g ou mais) oferecem maior amortecimento e são ideais para longas distâncias.
No que toca ao amortecimento, há duas filosofias principais:
- Amortecimento alto (maximalista): ideal para quem valoriza conforto, tem histórico de lesões ou corre grandes volumes semanais.
- Amortecimento moderado ou baixo: dá mais sensação de contacto com o chão e maior resposta. Preferido por corredores mais experientes ou que treinam técnica de passada.
A escolha depende do teu objetivo e do teu corpo. Por exemplo, um corredor de 85 kg que faz 60 km por semana beneficia de mais amortecimento do que alguém de 60 kg que treina três vezes por semana.
6. A importância do drop
O drop é a diferença de altura entre o calcanhar e a ponta dos ténis de corrida. É um detalhe técnico, mas que tem impacto direto na forma como o corpo absorve o impacto.
- Drop alto (10-12 mm): favorece quem aterra primeiro com o calcanhar. Ajuda a reduzir a tensão no tendão de Aquiles.
- Drop médio (6-8 mm): proporciona uma passada mais natural e equilibrada.
- Drop baixo (0-4 mm): incentiva o contacto com o médio pé e uma corrida mais técnica, mas exige adaptação.
Se estás a começar ou não tens lesões, opta por um drop intermédio. Só faz sentido reduzir o drop se já tens uma boa técnica de corrida.
7. Quando deves trocar os teus ténis antigos
Mesmo os melhores ténis de corrida têm um limite. Em média, a vida útil de um par de ténis de corrida é de 500 a 800 km, dependendo da marca, do peso do corredor, do tipo de solo e da intensidade do treino.
Mas há sinais que te avisam de que o momento chegou:
- a sola está gasta ou irregular;
- o amortecimento já não “responde” como antes;
- o interior está deformado ou o calcanhar cede;
- sentes pequenas dores nas pernas ou nos joelhos que antes não tinhas.
Um bom truque é anotar a quilometragem no momento em que começas a usar o novo par. Algumas apps (como Strava ou Garmin Connect) permitem associar cada treino ao modelo de ténis, facilitando o controlo da sua “idade”.
Mesmo que pareçam visivelmente bons, o material do amortecimento degrada-se com o tempo. Se passarem mais de dois anos guardados, mesmo sem uso, perdem elasticidade.
8. Quanto tempo duram realmente os teus ténis?
Há várias estimativas, mas a maioria dos fabricantes concorda que os ténis de corrida duram entre 300 e 500 milhas, o equivalente a 480–800 km. Corredores mais pesados ou que correm sempre em asfalto atingem esse limite mais cedo.
O estilo de corrida também influencia: quem tem passada forte e aterragem no calcanhar tende a desgastar mais rápido a entressola.
Se fazes 30 km por semana, isso significa que em cerca de 5 a 6 meses já é altura de pensar em novo par.
Por isso, investir em dois pares e alterná-los é uma excelente estratégia: prolonga a durabilidade e mantém o amortecimento mais equilibrado.
9. O mito dos ténis milagrosos
Nos últimos anos, surgiram modelos com placas de carbono e tecnologias avançadas de retorno de energia. São fantásticos para performance, mas nem sempre ideais para o treino diário.
Estes modelos são mais rígidos, mais caros e têm uma vida útil menor. Se corres por prazer ou em distâncias moderadas, prioriza conforto e durabilidade em vez de performance pura.
Os ténis certos são aqueles que te fazem sentir seguro, leve e estável, não necessariamente o modelo mais caro ou usado por elites.
10. Cuidar dos ténis de corrida também prolonga a vida útil
Não basta escolher bem, é preciso cuidar.
Evita deixar os ténis dentro do carro ou em locais húmidos, e nunca os coloques diretamente ao sol para secar. Lava-os à mão com água fria e sabão neutro, e deixa secar naturalmente.
E lembra-te: usar sempre o mesmo par para tudo (treino, prova e uso diário) acelera o desgaste. Reserva-os apenas para correr.
Conclusão
Os ténis de corrida são a tua ferramenta mais importante e também o investimento que mais influencia o teu conforto e desempenho.
Escolher o modelo certo exige autoconhecimento: perceber como corres, onde corres e o que procuras.
E saber quando trocar é a diferença entre continuar a evoluir ou começar a acumular pequenas dores que, com o tempo, se transformam em lesões.
No fim, o segredo é simples: ouve o teu corpo e olha para os teus ténis. Eles contam-te mais sobre a tua corrida do que imaginas.
FAQs sobre os ténis de corrida
1. Qual é a duração média de um par de ténis de corrida?
Entre 500 e 800 km, dependendo do tipo de uso, peso e solo.
2. O tipo de passada influencia na escolha do calçado?
Sim. Passadas pronadas ou supinadas exigem modelos com suporte específico.
3. Devo ter mais de um par?
Idealmente sim. Alternar ajuda a prolongar a vida útil de ambos e reduz impacto repetido.
4. Como saber se o amortecimento já perdeu eficácia?
Quando o ténis parece “duro” e o impacto deixa de ser suavizado.
5. É melhor um ténis leve ou com mais amortecimento?
Depende do tipo de treino e do teu peso corporal. Para longas distâncias, o conforto é prioritário.



